Reflexões do Webinar | Como permanecer humano em um mundo hiperconectado

Na última semana tive a alegria de realizar o primeiro Webinar Presença Humana, um encontro que nasceu de uma inquietação que me acompanha há muitos anos e que vem ganhando ainda mais força à medida que pesquisamos os impactos da Inteligência Artificial, da hiperconectividade e das novas formas de trabalhar e viver.

Quero começar agradecendo a todas as pessoas que reservaram um tempo para estar comigo. Em um mundo em que nossa atenção é disputada a cada minuto, dedicar uma hora para refletir sobre si mesmo já é, por si só, um ato de presença.

Ao final do encontro, muitas mensagens chegaram pelo chat e pelas redes sociais. Algumas delas diziam: “Nunca tinha parado para perceber o quanto vivo no piloto automático.” Outras comentavam: “Percebi que estou sempre em algum lugar, menos no presente.”

Essas frases resumem muito do que conversamos.

Como nem todos conseguiram participar ao vivo, decidi reunir neste artigo algumas das principais reflexões do webinar. Espero que elas despertem em você a mesma curiosidade que despertaram em mim há mais de uma década, quando comecei a estudar mindfulness, inteligência emocional e liderança humanizada.

A hiperconectividade vai muito além das telas

Quando ouvimos a palavra hiperconectividade, normalmente pensamos no tempo que passamos diante do celular ou do computador. Mas acredito que esse seja apenas um dos aspectos do problema.

Vivemos cercados por estímulos. São notificações, reuniões, mensagens, notícias, redes sociais, decisões e demandas acontecendo ao mesmo tempo. Paralelamente, existe uma outra camada muito mais silenciosa: a hiperconectividade da nossa própria mente.

Enquanto respondemos um e-mail, pensamos na próxima reunião. Durante uma conversa, lembramos de algo que esquecemos de fazer. Antes mesmo de terminar uma tarefa, já estamos preocupados com a seguinte.

A sensação é de que nunca estamos inteiramente onde estamos.

Não é difícil entender por que tantas pessoas terminam o dia cansadas sem necessariamente terem realizado aquilo que realmente importava.

Nossa atenção tornou-se um recurso escasso

Durante o webinar compartilhei uma pesquisa conduzida pela Universidade de Harvard que me acompanha há muitos anos. Ela mostra que passamos cerca de 47% do nosso tempo pensando em algo diferente daquilo que estamos fazendo naquele momento.

Esse dado sempre me provoca porque ele nos lembra que a vida acontece apenas em um lugar: o presente. Quem passeia pelo passado e pelo futuro é a nossa mente.

Também trouxe uma outra reflexão importante. Em diferentes pesquisas sobre comportamento digital, aproximadamente 70% das pessoas relatam dificuldade em manter a atenção durante reuniões e webinars. Ao mesmo tempo, estima-se que apenas uma parcela muito pequena da população dedica regularmente tempo ao próprio desenvolvimento pessoal.

Não se trata de falta de interesse. Muitas vezes, trata-se simplesmente da dificuldade que temos de sustentar a atenção em um mundo desenhado para fragmentá-la.

O que estamos perdendo sem perceber?

Quando a atenção se torna fragmentada, as consequências vão muito além da produtividade.

Perdemos a capacidade de permanecer concentrados por períodos mais longos. Nossa criatividade diminui porque já não oferecemos espaço para o silêncio, para a reflexão e para o descanso mental.

Os relacionamentos tornam-se mais superficiais, porque escutamos menos e interrompemos mais.

Talvez a habilidade que mais esteja sendo afetada seja justamente aquela que considero uma das mais importantes para o futuro: a escuta.

Escutar parece simples, mas exige algo raro atualmente: presença.

Presença para olhar nos olhos, para acolher o silêncio, para compreender antes de responder e para estar genuinamente disponível para o outro.

O piloto automático nos afasta das nossas escolhas

Outro ponto que discutimos foi o funcionamento do chamado “piloto automático”.

Grande parte das nossas respostas acontece de forma quase inconsciente. Repetimos padrões aprendidos ao longo da vida, reagimos antes de refletir e permitimos que o urgente ocupe o espaço do importante.

Quando isso acontece, passamos a viver muito mais no passado — revivendo situações — ou no futuro — antecipando problemas que talvez nunca aconteçam — do que no único lugar onde podemos agir: o presente.

Perceber esse funcionamento não significa buscar perfeição. Significa desenvolver consciência. Afinal, só conseguimos transformar aquilo que primeiro conseguimos enxergar.

O que a ciência já sabe sobre mindfulness

Uma das perguntas que mais recebo é se mindfulness significa “esvaziar a mente”.

A resposta é não.

Mindfulness é desenvolver a capacidade de perceber o momento presente com mais clareza, reconhecendo pensamentos, emoções e sensações corporais sem sermos conduzidos automaticamente por eles.

Hoje já existe um volume robusto de pesquisas mostrando que a prática regular pode contribuir para reduzir a ruminação mental, diminuir o estresse antecipatório, fortalecer nossa capacidade de atenção e favorecer uma recuperação emocional mais rápida diante de situações difíceis.

Compartilhei também um dado que considero especialmente interessante: pessoas que meditam não deixam de experimentar emoções como medo, tristeza ou ansiedade. A diferença é que, em geral, conseguem permanecer menos tempo presas a essas emoções e retomam o equilíbrio com mais rapidez.

Em outras palavras, não é sobre eliminar as dificuldades da vida. É sobre desenvolver melhores recursos internos para atravessá-las.

Inteligência Emocional começa pela presença

Também conversamos sobre Inteligência Emocional e liderança.

Durante muitos anos associamos liderança a conhecimento técnico, experiência ou capacidade de tomada de decisão. Hoje sabemos que isso continua importante, mas já não é suficiente.

Pesquisas do Google sobre equipes de alta performance mostram que ambientes psicologicamente seguros favorecem inovação, colaboração e aprendizagem. E segurança psicológica nasce da qualidade das relações.

Não existe empatia sem autoconsciência.

Não existe escuta verdadeira sem presença.

Não existe liderança humanizada sem a capacidade de perceber primeiro a si mesmo para, então, perceber o outro.

O Mapa de Bem-Estar: um convite para olhar para si

Nos minutos finais do webinar apresentei uma ferramenta que desenvolvi justamente para apoiar esse processo de autoconsciência.

O Mapa de Bem-Estar é uma avaliação que convida cada pessoa a refletir sobre cinco dimensões que considero essenciais para uma vida mais integrada: Vitalidade, Clareza Mental, Equilíbrio Emocional, Conexões Humanas e Propósito.

Ele não estabelece diagnósticos, não compara pessoas e não substitui avaliações clínicas. Seu propósito é muito mais simples — e, ao mesmo tempo, muito importante: oferecer um retrato da sua percepção neste momento da vida e criar um ponto de partida para acompanhar sua própria evolução ao longo do tempo.

Acredito profundamente que não podemos transformar aquilo que não conhecemos. Toda mudança começa quando temos coragem de olhar para onde estamos.

Se você não conseguiu participar…

Se este texto despertou sua curiosidade, deixo um convite.

A gravação do webinar continua disponível e acredito que ela pode ser útil para quem deseja compreender melhor os impactos da hiperconectividade sobre nossa atenção, nossas emoções, nossos relacionamentos e nossa forma de liderar.

Ao assistir, aproveite também para realizar gratuitamente o Mapa de Bem-Estar. Em poucos minutos você terá uma visão inicial sobre como estão hoje os cinco pilares da Presença Humana e poderá iniciar, de forma consciente, sua própria jornada de desenvolvimento.

Espero que este seja apenas o primeiro de muitos encontros.

Porque, em um mundo cada vez mais acelerado, talvez o maior ato de coragem seja justamente este: escolher estar verdadeiramente presente.

Obrigada por estar aqui,

Até breve,

Ligia Costa

Sou Ligia Costa, palestrante especialista em mindfulness e inteligência emocional para promoção da saúde mental e
bem-estar.
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Medite comigo:

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Neste livro, compartilho lições valiosas que aprendi ao longo de minha carreira e de minha jornada de autoconhecimento.